História do Coro Angélico de Santa Luzia
O Coro Angélico, coral mais antigo da cidade de Santa Luzia/MG, ainda em atividade, foi fundado na igreja matriz de Santa Luzia em 15 de Agosto de 1952, ocasião em que haviam se extinguido dois corais anteriores, a saber o Coro da Família Dolabella em 1949 e o Coro da Família Ramos em 1952.
O coral da família do Sr. Aurélio Dolabella cantou durante as décadas de 1930 e 1940 nas missas dominicais e nas novenas da matriz. Era formado pelas suas filhas Lúcia (solista) e Agar, bem como pelas amigas da família, a saber, Preta de João Soares, Letícia Araújo, Maria José dos Santos, Maria e Naná. O coro se extinguiu quando do falecimento de sua harmonista, a Sra. Marieta Lima Dolabella (dona Nhaéta), esposa de Aurélio Dolabella.
O coral da família do Sr. Antônio Marçal Ramos foi responsável, entre os anos de 1920 e início da década de 1950 por executar, junto com a Orquestra Sacra de Santa Luzia e sob a regência do maestro Francisco Julião da Silva, os motetos dos Passos e das Dores na Semana Santa e as missas solenes na festa de Santa Luzia. Compunham esse coral as senhoras Fortunata Ramos (esposa do maestro Francisco Julião), Engrácia Ramos Gonçalves, Maria Cândida Ramos, Francisca Ramos e Maria do Carmo Silva Viana (filha do maestro). O coral contava ainda com a violoncelista Rosalina Silva. Esse coro se extinguiu devido ao fato de o seu maestro, o Sr. Francisco Julião da Silva, ter sido transferido da Coletoria de Minas Gerais sediada em Santa Luzia para a da cidade de Guanhães, no interior do estado.
Com o advento da extinção do Coro da Família Ramos, o então pároco da paróquia de Santa Luzia, Pe. Cristiano Frederico Portela de Araújo Pena, fundou o Coro Angélico juntamente com um grupo de jovens paroquianas denominadas “Filhas de Maria” e algumas alunas do Ginásio Santa Luzia, atual Escola Estadual “Geraldo Teixeira da Costa”, a saber: Maria do Carmo Oliveira (Preta), Lêda Vieira Magalhães, Maria José dos Santos, Maria do Rosário Vieira, Piedade Vieira (Dadinha) e Maria Marta Machado Maia. Coube ao vigário Pe. Ayres, escolher o nome do novo Coro e ensinar latim às cantoras.
Há época da fundação do Coro Angélico, Maria do Carmo Oliveira, uma de suas fundadoras, conseguiu junto ao compositor luziense Manoel da Fonseca, já em seu leito de morte, quatro dos Motetos dos Passos e um dos Motetos das Dores. Manoel da Fonseca era tio do maestro Francisco Julião da Silva e compôs várias músicas que desde a década de 1950 fazem parte do repertório do Coro Angélico, tais como o Eu Domine e o Miserere. O compositor criou também, algumas músicas populares, como a Valsa Maria, que ha anos não são executadas.
O Coro Angélico nasceu com a incumbência de cantar os diversos motetos dos Passos e das Dores e demais peças sacras (Missa Solene, Te Deum, Hinos, Ladainhas) em latim e português, compostos por luzienses e não luzienses nos séculos XVIII, XIX e XX, anteriormente executados pelo Coro da Família Ramos. A execução das referidas peças musicais sempre se deu com o acompanhamento instrumental de músicos das bandas “Benício Moreira” e posteriormente, da “Estrela de São João”, os quais formam uma orquestra de câmara denominada Orquestra Sacra de Santa Luzia.
O primeiro regente do Coro Angélico foi o professor Moacir, que veio de São Paulo. Posteriormente a dona Helena Silveira, professora de música do Ginásio Santa Luzia passou a ser a maestrina do Coro. Regeram também os maestros da banda Benício Moreira: Pedro Paulo de Oliveira e Plínio de Pinho. Em 1963 o maestro Francisco Julião retornou a Santa Luzia e passou a ser o regente do Coro Angélico.
Em 1964, sob a regência do maestro Francisco Julião da Silva, o Coro Angélico cantou pela primeira vez a tradicional Missa Solene de José Maria Lopes na abertura da festa de Santa Luzia. Essa missa e tantas outras compõem o vasto acervo musical sacro e popular que o maestro Francisco Julião colecionou durante a vida. Tal a importância do referido acervo que em 1987, após o falecimento do maestro, a prefeitura municipal de Santa Luzia o adquiriu para o conservar e para o uso do Coro Angélico e da Orquestra Sacra de Santa Luzia.
Com o passar das décadas o Coro Angélico se consolidou, para além de um coro sacro, como um grupo musical cultural de Santa Luzia, tendo se apresentado em vários eventos religiosos, cívicos e culturais na cidade, em Sabará, Lagoa Santa, Raposos, Caeté e Belo Horizonte, com destaque para a apresentação no programa “Quarta Doze e Meia” na reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais em 1984.
Fazem parte do repertório popular o Coro Angélico as músicas Amo-te Muito, Tardes de Lindóia, A Ti Flor do Céu, A Minha Terra é Doce, Folhas Mortas, Cio da Terra, Asa Branca, Obrigado Senhor, Amigos Para Sempre, Meus Tempos de Criança, A Chalana e Cio da Terra.
O reconhecimento da importância cultural do Coro Angélico para Santa Luzia tem sido reconhecida pelo poder público local por várias vezes nas últimas décadas. Em 2022 o coro ganhou a medalha Atônito de Castro e Silva, que é a maior comenda do município de Santa Luzia. Em 2022 o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Santa Luzia aprovou a abertura de processo de registro imaterial do Coro Angélico e da Orquestra Sacra de Santa Luzia. No mesmo ano a Câmara Municipal de Santa Luzia aprovou uma Moção Honrosa ao Coro Angélico e a Prefeitura sancionou lei que reconhece o coro e a orquestra como parte do patrimônio cultural de natureza imaterial da cidade.
Em 2010 o Coro Angélico cantou na capela do Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte,a Missa em Ação de Graças pelos 100 anos da luziense Síria Gonçalves Teixeira de Castro e Silva. E em 2023 o coro cantou na capelinha do Bonfim, no Centro Histórico de Santa Luzia, a Missa em Ação de Graças pelos do comerciante e ex-juiz de Paz luziense Antônio Nonato de Carvalho.
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